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Archive for the ‘Filmes’ Category

Garapa

(baseado no filme Garapa.)

Que filme é este?

Estrangeiro?

Esse que assisti,

sem legendas,

inteiro.

De moscas, perebas, agonia,

sujeira, cachaça e falsa valentia.

(Por que as crianças não correm e brincam? Se deitam?
Não querem gastar energia?)

Esse  filme de lugar nenhum, desmapado, sem poesia.

Afinal, de onde vem essa falta de idioma,

que a tudo compreendo, mas nada entendo.

Em que que a platéia  fugiu – no meio.

De que país vem aquele  menino

que se diz brasileiro?

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Tá fui ver o tal  “documentário” sobre o Simonal.

O nome já diz: documentário é algo que se baseia em documentos, assim como o estudo da história.

Recupera-se relíquias para reconstituir o passado.

A carreira do cantor Simonal tem uma marca forte: foi acusado de dedo-duro durante a ditadura militar e foi para a geladeira cultural.

Verdade ou mentira?

Esse é o tema de qualquer documentário sobre ele para começar a abordar o tema.

O resto é detalhe, pois há uma barreira entre ele e as pessoas que conhecem a história.

Depois que isso estiver esclarecido, indo  às minúcias – se quisermos – podemos relembrar os outros fatos da sua vida de um cantor espetacular.

Note bem: acredito que existe uma diferença entre o homem e a obra, mas, no caso, a obra dele parou por causa disso, é algo marcante na vida de pessoa e no resultado do trabalho.

O filme sutilmente e infelizmente manipula as informações pró-artista.

O que seria um serviço, no fundo, é um deserviço.

É isso que imagina-se que um documentário que volta ao assunto deveria, ao menos, esclarecer.

Mas não o faz, opta por uma manipulação dos fatos, cerca os matrixes (alienados de plantão)  de vários bem situados homens de mídia que gostam/gostavam/ou hoje não tem nada contra o Simonal.

Querem a redenção do moço, sem querer explicar, afinal, o que o moço fez?

Até senti pena dele, mas para perdoar, antes de tudo, precisa-se saber o deslize, não?

As perguntas que ficaram em aberto, que, a meu ver, não foram esgotadas, ou ao menos, não ficou claro que não há como esclarecer mais o assunto:

  • ele mandou torturar de fato no Dops o seu ex-contador, conforme este o acusa no filme?

(Saber o que o pessoal acha sobre isso é uma coisa, apurar os fatos é outra completamente diferente.

  • foi no dia seguinte pós-tortura realmente no Dops para ver o resultado do trabalho?
  • quem foram os homens que torturaram o ex-contador? Estão vivos?
  • por que Simonal foi preso já que a tortura se deu em uma dependência do Dops, do próprio Governo?
  • os torturadores foram presos também? Afinal, que processo foi esse?

(O filme, por incrível que pareça, mostra superficialmente e  não detalha.)

  • não teve advogado, promotor, juíz nesse processo? Estão vivos?
  • o ex-contador que acusa Simonal é uma fonte confiável? O que os outros clientes acham dele?
  • como e onde Simonal conheceu o pessoal do Dops?

No filme, um segmento da sociedade, o pessoal que sofreu na ditadura, não é entrevistado, até para dar uma noção do clima que envolvia à época.

E aí vocês dirão, mas não é essa a proposta do filme?

Dar uma pincelada rápida?

Se não vai-se fundo,  fala-se apenas do cantor, como se isso fosse possível.

Mas deixar coisas em aberto, é uma bordoada na cabeça de quem tem mais de dois neurônios.

No fundo, ajoelharam, mas não rezaram.

E tentaram  não indo fundo nos dados e apenas com entrevistas (eu acho isso e aquilo) dar uma aliviada no moço.

Ao final, colocam o nome dele e a data de morte e nascimento, bem pertinho, de um depoimento choroso da mulher dele, que só aparece no final, de que ele se escondia atrás de pilastras para não prejudicar os shows dos filhos.

Realmente triste.

Mas o perdão só é possível pela passagem da razão e, depois, da sensibilização.

A manipulação, a meu ver, só serve para levantar mais suspeitas, sendo um tiro pela culatra de quem até poderia se compadecer do cantor, filho de empregada doméstica, com um grande dom para cantar e se comunicar com a platéia.

Imperdoável, não, não o Simonal, este ainda não sei, o filme.

É isso.

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