Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for the ‘Não classificado’ Category

Cartagena não é uma viagem para os mais exigentes.

É uma cidade meio largada, como achei de maneira geral a própria Colômbia, como, no fundo, o Brasil.

É um tipo de turismo ainda bem amador, diria até que meio desesperado nas ruas, querendo extrair do turistas o que não se oferece.

Entretanto, vi pouco mendigo ou crianças pedintes dentro na cidade murada.

Muita gente querendo vender coisas sem sentido ou valor.

Tudo igual como se houvesse uma grande indústria de badulaques: chapéus, bolsas, camisas e muita bijouteria de mal gosto.

A Colômbia me pareceu em muitos aspectos um Brasil de uma década atrás.

Reparei na bagunça do trânsito, pouca digitalização de serviços e falta de preço na vitrines das lojas.

Algo como uma sociedade civil ainda mais atrasada que a nossa.

Há uma divisão de classe ainda mais gritante do que no Brasil.

Note que há segurança privada em demasia.

Há uma tensão no ar.

Nos vôos domésticos, por exemplo, ainda têm primeira classe!!! Mesmo os de curtíssima duração.

Vi aeroportos mal tratados e salas vips de primeiro mundo, as que deveriam ser o próprio aeroporto.

Ou seja, para o povão….o pior e para alguns, o primeiro mundo.

Ainda me chamou a atenção.

Os muitos guardas colombianos na cidade murada não reprimem barulho.

A música é sempre muito alta para cima (do que ouvi achei chata) e ambos (barulho e música) não têm hora.

É uma salsa gritada o que se ouve nas ruas. Parece uma ladainha.

É comum sempre muito alta, todas as horas, também cedo.

Além disso, vi gente quebrando calçada às 6 da manhã debaixo de um hotel num sábado.

E vi policiais impassíveis.

Algo assim numa cidade que depende do turismo é uma evidente contradição.

Tiro no pé.

Não ligam.

Não entendem o que poderiam ganhar com o que têm.

Cartagena, assim, pede algo talvez muito de aventura, pois é um turismo ainda sem grandes reflexões.

Isso tem um lado interessante, mas nem todos gostam.

Não é programa para quem quer tudo certinho. Estes devem passar longe.

Talvez Miami. 🙂

Dito isso, diria que é uma mistura de Ouro Preto (cidade histórica) perto de uma Búzios (praias do Caribe).

O mais legal do programa é, sem dúvida, caminhar pelas ruas da cidade murada para fotografar, descobrir, curtir.

O povo é meio beligerante, mas quando se puxa conversa, é simpático.

O espanhol é cantado, não tão fácil como dos argentinos.

Demora um tempo para acostumar o ouvido.

O problema, entretanto, é o calor do verão.

Dez horas da manhã já começa a ficar insuportável e só melhora depois das 16 horas.

O ar condicionado não é padrão. Cartagena tem muita atividade para os residentes, o que também é bom, mas que vivem no calor.

Quem vem de fora estranha, mesmo do Rio. É bem abafado.

Assim, nem pense em andar sem algo protegendo a cabeça.

Por isso, chapéus são um produto farto.

Fugir do calor para o ar condicionado é algo que vai te fazer bem.

Desenvolver um radar para os ar condicionados da cidade é recomendável. 🙂

É de bom tom sair bem cedo e no final de tarde.

Há um sol amarelo ocre raro de se ver.

Fora isso, sombra.

O sol sai 6:00 da manhã e se põe no mesmo horário na tarde.

Melhor visto da amurada.

Os táxis não tem taxímetro. Tem, porém, uma tabela que todos conhecem.

Em média, quando é para perto, em 2013, estava 6 mil pesos.

O trânsito é louco. Ninguém respeita pedestre. Os carros duelam. Mas os taxistas foram todos honestos.

Buzina-se o tempo todo.

Tem muito táxi, em geral são apertados e pequenos. Tem aplicativos também. Vi apenas o Easytaxi.

Os quiosques de informação são bons, úteis e solícitos.

Dentro da cidade murada diria que os museus são em geral largados – tipo caça níquel.

O grande museu vivo é a cidade bem preservada. A preservação da cidade é levada a sério.

Vi muitas obras.

Já os museus oficiais são largados.

Uma pena. Vê-se claramente que não há tradição ou investimento.

Museu naval – nada demais, quente, 7 pesos. Só para aficionados. Sem conceito.

A atração é um fantasma com direito a uma foto. Da para levar a sério?

Museu da inquisição – meio enganação, réplicas, quente, 12 pesos. Tinha, entretanto, uma exposição em sala em paralelo que estava ótima;

Museu do ouro – é o mais honesto. De graça, ar condicionado campeão, peças interessantes. Ali, há algo que possa ser chamado de museu;

Museu de arte moderna – gostei do acervo permanente de Enrique Grau, quente também, paga 5 reais.

Nos museus não há, por incrível que pareça, seguranças nas salas.

Sempre um guia se oferece para te dizer algo, pagando claro. Só no forte há visita com headphone.

Fora da cidade murada vimos:

O forte – tem que ir bem cedo ou mais tarde. É um forno. Enorme. Mostra bem o quanto queriam proteger o ouro da cidade dos outros gananciosos. Vale a visita;

Fui ao forte a pé.

Na volta, tomeu um ar condicionado no mall que tem do lado.

E aproveitei o mercado que têm lá para compras para um lanche na noite.

Têm também um café granizado no juan valdez.

Convento da popa – (vale casar a visita com o do forte. É para o mesmo lado. Faz um pacote com o taxista. )

A vista do convento é Imperdível por causa APENAS da vista.

É fantástica a vista, mas têm que entrar e pagar.

A visita a parte de dentro do convento é dispensável. Não tem nada.

Cobra-se a vista.

Se sentir um otário é comum.

Mas tem guia se oferecendo. 😦

Acho que cobram 10 por cabeça para entrar.

Notei vários guardas na subida ao acesso ao convento. Deviam estar assaltando turistas.

Se informe antes.

Se ficar entre o forte e o convento, vá de convento pela vista.

O forte é legal, mas não me emocionou.

Se for apenas no convento o táxi que leva tem que te trazer de volta.

Paguei 30,000 ainda assim negociando.

Praias.

As da cidade são fracas.

A praia da cidade é clima bem piscinão.

Apesar que o por do sol mais bonito que vi foi em Boca Grande, devido as nuvens.

Nuvem é coisa rara.

Nessa época de dezembro é raro chover. O céu é sempre limpo.

A ida as praias caribenhas, mais longes, é uma lenha.

Uma paquetá piorada.

Prepare-se para virar um alvo potencial de colombianos ambulantes carentes e um turismo precário, beirando ao perigoso.

Vale a ida, mas deve-se evitar SOB PENA DE SUICÍDIO fins de semana.

Deve ser o casos na terra.

O porto para embarque é uma bagunça completa. Apesar do imposto obrigatório de 12 pesos.

Cobra-se — claro — o que não dão.

A sombra é reduzida, não tem cadeiras suficientes.

E tem muito sol.

Têm três opções para ir à praia:

Quase navios – lentos, mas mais baratos. 3 horas para ir e mais duas para voltar.

Lanchas rápidas leves – voam nas ondas, fazem em 30 minutos. Não têm escada para subir depois da praia.

Ou seja é na base do braço da tripulação. Há riscos evidentes de machucados nas costas, pés e mãos;

Se o mar estiver agitado, o barco de fibra voa literalmente no trecho de mar aberto. (Haja coluna).

Se você gosta de aventura, prato cheio. Tripulação jovem e amadora. Tem colete para todos.

Nestas lanchas vai-se apertado. Num banco para quatro, colocam cinco. Vão cheia.

Lanchas rápidas pesadas – escolha estas. 30 minutos. Não fui nelas, mas me pareceram mais profissionais.

Feche o pacote antes, pois na chegada ao porto é mais um cenário de assédio total.

Se não tiver filhos que queiram ver o oceanário, vá direto para a praia branca, pois a ida a Ilha do Rosário é dispensável e só vai chegar na praia, o melhor de tudo, às 13 horas.

Os barcos começam a voltar geralmente 15:00/15:30, o, que que deixa pouco tempo para curtir a praia para quem vai a Rosário.

O almoço que já está incluso no pacote (em geral 60 mil cada) é uma confusão completa.

Comida pouca e muitas filas.

Cuidado com as pedras no acesso aos restaurantes.

Quem vão a ilha do rosário mergulha de barriga cheia.

Tem um percurso por terra para ir a praia branca talvez valha alugar um carro. Dá 1:30 até lá, segundo me informei.

Tem um lugar na cidade que faz mergulho. Talvez seja uma opção alternativa.

Procurei alternativas para fugir disso, para outra praia, mas não achei. Talvez um grupo grande alugando barco para uma outra praia deserta levando água e comida?

Ou alugar barco independente com galera.

A praia é maravilhosa.

Água quente e transparente, MAS….

Tinha muita sujeira orgânica, galhos, etc, em vários trechos;

Na parte mais movimentada, a água é mais turva.

Têm que escolher bem onde se vai mergulhar.

Tem pedras pequenas na água e ouriços, assim tome muito cuidado ao entrar na água.

Não há leis sobre aproximação de barcos ou jet-skys. Ou seja, mergulho, crianças, distraídos ou, quem gosta de boiar sofre risco de vida;

Tem polícia, mas esse lance de barco misturado a banhista pode.

O pior, entretanto, são os ambulantes chatos na praia branca.

Você não vai ter paz para nada.

Será abordado a cada 2 minutos para dizer não para tudo.

Ler? Meditar? Conversar? Tomar sol? Esquece!

Sombra custa 20 mil pesos + consumo.

O ideal é ir para o lado mais vazio, oposto aonde ficam os barcos.

Playa Blanca de barco é programa de cocar total.

Bom, falemos de comida e bebida em cartagena. O que vi de bom.

Restaurante imbatível : Mila. Suco de uva. Arroz com lula, 22 mil. Lagostim, 33 mil. Ar condicionado, café ótimo. Fomos duas vezes.Wifi.

El Paradiso – salada de fruta com iogurte e granola. 5 mil. Ar condicionado. Sorvetes variados; Wifi.

Juan Valdez – granizado de café, tipo um café gelado (5 mil). Lá tem café em pó para levar. Bom para presente. 10 mil o pacote. Wifi. Ar condicionado.

La Cevicheria – só petisco. Peça o ceviche misto mega e a limonada; Wifi.

Há poucos mercados na cidade murada. Se quiser fazer lanche à noite, sugiro os supermercados dos malls.

Tem um perto do forte.
E um na entrada amarela da cidade murada.

Hotel.

Ficamos no Zaguan de la Huerta que fica mais afastado do buchicho.

O custo/beneficio foi bom.

Ponto alto – jacuzzi na cobertura, piscina para uma refrescada, simpatia do pessoal, ar condicionado, wi-fi, cama e travesseiro, rua residencial, silenciosa, que dá sensação de estar com os residentes.

Bola fora – cupins, café não é self-service, não trocam toalha todo dia, fazem jogo duro com papel higiênico, chuveiro elétrico com pouca água, taxistas não conhecem a rua, quiseram cobrar um seguro dos hóspedes. Se informe sobre isso.

Lugares que gostei meio ao acaso.

Uma charutaria perto da praça das esculturas de ferro.

Uma enoteca do lado da entrada do museu naval;

Segurança – na cidade murada achei guardas às 5:30 de moto na murada. Bem tranquilo.

Do lado de fora, dizem que é bom ir com quem conhece.

Aeroportos.

O de bogotá doméstico para cartagena é uma rodoviária do interior.

O de cartagena é melhor, mas têm poucas opções para carregar celular, apesar de novo. Sem Wifi.

O de bogotá internacional também têm problemas de tomada para carregar. O Wifi cai toda hora. Com fome, já no embarque tem uns fast foods.

Bom saber que na avianca tem um usb na poltrona que da para carregar.

No aeroporto, o curioso é que as faxineiras entram sem pudor no banheiro dos homens. Cuidado se você e tímido. 🙂

(Viajei em dezembro. As dicas sobre temperatura são condizentes com este período).

Anúncios

Read Full Post »

Serranas IV

Chamado

Olha lá meus abismos me olhando lá debaixo, de novo, me pedindo para descer.

Trilhos tortos

Minhas neuroses me humanizam, me desumanizando;

Transplante

Fiz o exame: meu coração está intoxicado e entupido de herança e neurose, só um transplante para evitar um ataque.

Te cuida

Lua, toma cuidado.

O céu do lobisomem é passageiro, solitário e escuro.

Tua cratera molhada desperta o instinto da fera.

Te quer beber cheia para te deixar minguante…..

E quando estiveres uivando… vai fugir e te deixar nua pela floresta para virar, de novo, o homem, que se esconde do lobo, quando o sol da razão aparece.

 

Read Full Post »

Serrana III

Bangu-me

Sim, sou eu mesmo, o carcereiro mais severo que vigia, vinte e quatro horas por dia, implacável, a porta da minha prisão perpétua.

Sem noção

Meus abismos adoram me chamar para um mergulho  nos horários mais inconvenientes.

Petróleo

Quero furar a camada de pré-sal das neuroses antepassadas para tentar, pelo menos, encher uma latinha de Coca Diet com óleo virgem.

Cascata

Meu tataravô estragou meu bisavô, que, por sua vez, estragou o meu avô e veio descendo…..descendo…descendo….até a minha ladeira.

Sabedoria

A lua, de fosse sábia, quando ficasse cheia, se escondia atrás das nuvens para se proteger do lobisomem.

Labirintite

Em transe,
da tua trança,
trança-se em mim,

transando-me.

Read Full Post »

Serranas II

Autorizada

Somos defeitos ambulantes à procura da oficina especializada;

Projeção

Não passe em mim teu filme preferido: cansei de ser cinema;

Saindo do armário

Fora do armário, sempre tem outro para ser saído;

Rapunzel II

Não, não me venha, de novo, com estes teus lindos cabelos de prisão perpétua;

Prisão

A chave sempre é tua, apesar da ilusão do carcereiro;

Caverna

Há em mim um dragão que solta fogo pelos ventos perdido justo naquela caverna em que o Google Maps ainda não passou;

Read Full Post »

Serranas

 

Vertix

Minha labirintite crônica tem um medo, que se pela, do teu corredor estreito, sinuoso, escuro e sem saída.

Gaiolando

Passarinho mole,
na gaiola dura,
tanto canta,
que até se fura.

Depressão?

Não é que o canto da parede não cantarola faz tempo!

Ilusão ecológica

A semente que não brotou resolveu mentir para si mesma: é uma pré-árvore iludida;

Contos de fadas 2.0

Rapunzel jogue teus cabelos digitais no Facebook para ver se não rola um príncipe virtual.

Transplante

Preciso de asas de botox, com alguns litros de silicone para voar bem lá no alto, onde o ventilador de teto brisa.

Rédeas

Queria soltar meu cavalo puro-sangue para pastar no teu jasmin encantado.

Economia

Tomo chá de significado todo dia pela manhã para ver se a xícara não fica deprimida;

Verdades

Jasmim um pouco já que ti muito;

Read Full Post »

Febre infantil

Me vieram
Essas alucinações.

Pessoas feito coisas.
E coisas feito pessoas.

Até que a médica rindo explicou

“É poesia!”.

Ufa.

Coisa boba,
mas crônica.

Essas coisas.

E passei a
acalmar
as tardes
brincando de
assustas os versos.

Read Full Post »

Respondi a uma pessoa querida sobre um poema…e gostaria de compartilhar:

Ok…tem uma coisa que vou te dizer, que é meio paradoxal, comentando teu poema, que é forte.

Escrever poesia para minha praia aqui é procurar fugir do sentimento bobo original…

Não do sentimento propriamente dito, mas superar a primeira intuição, pois geralmente o sentimento original vem poluído se senso comum, de palavras gastas…de creme com açúcar.

Nos libertar daquilo que ele tem de senso comum, de prosaico, para elevá-lo a algo fora de nós….sem perder o afeto que o originou, mas usando e tentando romper as barreiras da linguagem.

Um movimento intuitivo-cognitivo-afetivo, todo misturado, a cada caso, a cada sentimento.

Quando alguém vem com textos afetivos de caderno eu acho bacana, mas isso não é poesia…é texto afetivo de caderno, que tem validade para a pessoa que o escreveu, mas não é poesia…pois a poesia é um compromisso com o belo e com a linguagem, através de uma reinterpretação de algo que se sentiu, pensou, percebeu…

Obviamente, que não existe uma banca para dizer que aquilo é ou não é, e temos aquários em que aquele trabalho tem uma representação importante para um conjunto de pessoas.

Mas há também algo a ser perseguido e isso que estabelece critérios, ou seja, que você procura, e essa procura, aberta, livre e cheia de buracos, que acredito ser a busca de romper com a realidade mais banal em 3D, vendida em 10 x no cartão.

Isso não é uma definição, a realidade, é a minha maneira de pensar e sentir a coisa, é o meu manifesto, o que é poesia para mim. Aceito todas as outras e gostaria de amadurecer o meu ponto de vista, que por enquanto é esse…ao vento.

Cadernos afetivos são tentativas de representar um afeto sem o objetivo de trabalhar a arte poética…

O que é válido….

Poesia, do que pensei e senti até aqui, é quebrar a fronteira da linguagem…ponto, através de um afeto quase autêntico, sabendo que todo o afeto nunca será autêntico, pois somos esse mix de cavalo domesticado e cavalo selvagem.

O poema é a tensão disso com palavras.

Se o teu poema tem que ser coerente com algo que não seja a linguagem…com algo que se torne bonito plasticamente, ele tende a ficar cremoso….preso ao senso comum. Diria que uma coisa é essa luta incansável para sair do senso comum e outra são os estilos que usaremos para chegar a essa meta.

A poesia admite todos os estilos, mas sempre será a luta contra o senso comum.

Poesia, posso até intuir, que é mais uma atitude diante de sentimentos, através de uma linguagem. 

E é nessa procura de algo plástico que conseguirá ver o afeto de fora e poderá tentar chegar nele de novo, através de uma nova linguagem.

É afetivo, é intuitivo, é cognitivo e ao mesmo tempo não é nada disso.

É outra coisa.

Que só depois de pronto, se diz, é. Ser fiel….ao que ao sentimento ou ao susto que ele provocou?

Aposto no último, pois o susto exige uma interpretação nova…fuga do que é fácil.

Nem você ainda sabe qual foi.

É preciso, assim, tirar o creme que vem sempre junto…para explodir o arreio.

Eis o que se tenta, ou pelo menos, eu o faço: ir através do poema ver coisas que nem você conseguiu ver quando resolveu escrever…é isso que fortalece a coisa, sem deixar de ser fiel ao susto.

Talvez, limpar o creme para deixar o susto menos açucarado….

Poesia não é algo do que queremos dizer, para isso tem diários, teses, etc, que são coisas da que não tem o compromisso de romper linguagens, vale para pensarmos sobre nossas coisas, uma terapia, legal, válida, mas é outra coisa, sem compromisso com a arte poética, que é algo complexo…

Poesia é  procurar o que ainda não sabemos.

Nos descobrir num novo jogo de palavras para algo que não sabíamos que podíamos inventar e provocar nos outros um susto similar..próximo ao que sentimos, que será completamente diferente ao que foi…

E quando sai se sabe que é um conflito e uma tensão que se resolve entre o que foi e o que se conseguiu.

Você tem que sair da cena, da pessoa, daquilo que te levou a querer escrever e recriar como se fosse matando aquilo lá….e aí vai se libertando daquilo e indo em direção ao jogo das palavras que é o que tem de belo na obra de arte…

E, por incrível, que pareça aquilo passa a ser o que você re-sentiu.

Transpor as fronteiras da linguagem…sem passaporte ou visto, procurando o inalcançável sentimento original, para sempre perdido e nunca achado, mas velado no poema.

É algo mais filosófico que tem algo mais fundo do que tirar palavras….

Não diria que escrever é cortar palavras, diria que escrever é cortar o creme que vem junto com as palavras, que vem com nossos primeiros sentimentos domesticados,….

Ou seja, seria tentar sair da gaiola, sendo liberado pela arte …

Deixando para trás todos os primeiros sentimentos que sentimos e procurando, pelas palavras, algo completamente novo e muitas vezes – sem sentido – porém, dentro da beleza possível, recriando o que nem sabemos o que era.

Veio ainda: fazer poemas é moer o ego de forma a sobrar alguma coisa. 😉

Sei lá, viajei, Fui.


Read Full Post »

Older Posts »