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Serranas II

Autorizada

Somos defeitos ambulantes à procura da oficina especializada;

Projeção

Não passe em mim teu filme preferido: cansei de ser cinema;

Saindo do armário

Fora do armário, sempre tem outro para ser saído;

Rapunzel II

Não, não me venha, de novo, com estes teus lindos cabelos de prisão perpétua;

Prisão

A chave sempre é tua, apesar da ilusão do carcereiro;

Caverna

Há em mim um dragão que solta fogo pelos ventos perdido justo naquela caverna em que o Google Maps ainda não passou;

Serranas

 

Vertix

Minha labirintite crônica tem um medo, que se pela, do teu corredor estreito, sinuoso, escuro e sem saída.

Gaiolando

Passarinho mole,
na gaiola dura,
tanto canta,
que até se fura.

Depressão?

Não é que o canto da parede não cantarola faz tempo!

Ilusão ecológica

A semente que não brotou resolveu mentir para si mesma: é uma pré-árvore iludida;

Contos de fadas 2.0

Rapunzel jogue teus cabelos digitais no Facebook para ver se não rola um príncipe virtual.

Transplante

Preciso de asas de botox, com alguns litros de silicone para voar bem lá no alto, onde o ventilador de teto brisa.

Rédeas

Queria soltar meu cavalo puro-sangue para pastar no teu jasmin encantado.

Economia

Tomo chá de significado todo dia pela manhã para ver se a xícara não fica deprimida;

Verdades

Jasmim um pouco já que ti muito;

Engaiolado

Engaiolado

Colocaram Durepox, não sei se de propósito, no meu coração. Ele até bate as asas, animado, mas não voa.

Galo

É o galo que sente a manhã e berra assustado? Ou a manhã abduzidora, que berra no galo?

Galo II

Ou será a noite infantil que berra para não ir embora, com o medo da morte estampado em cada estrela galada?

Galo III

A megalópolis tem galo apenas no nome.

Contradições de passarinho

Quero ter toda liberdade do mundo para cantar bem alto (desde que não saia da minha gaiola).

Saindo do armário

Sou um cara bem pé no chão (das nuvens).

Nuvens

E quem foi que disse que não existe chão nas nuvens?

Matem a cartomante!

Ser é esbofetear o destino,
não deixando a vida te levar em hipótese alguma para o lugar do nenhum.

Visitar a cartomante da esquina, se possível, a machadadas, enquanto rasga o mapa astral com estilete.

É, por fim, engolir apenas GPS orgânico, feito com ervas naturais, com teu próprio transgênico,
colhido no seu terreno mais vadio.

 

Na estrada

Placas obsessivas
me mandam colocar
teu cinto de insegurança.

Ponho?

Caixa

Cuidado, não abra minha caixa de afeto assim tão rápido.

Faz séculos que o que está empoeirado lá dentro não vê a luz do dia.

Não me admire tanto,
pois meu espelho é frágil.

Doido

Meu corpo de bengala, autista, ainda sonha feito criança.

Dorflex

Tenho dores tão antigas que já são amigas inseparáveis;

Prisão

Teu sorriso tem um quê de prisão perpétua;

Drogas

Não adianta me Rivotril que eu Voltaren.

Vala

Meu porre de estrelas, me ressaca direitinho.

Travessia

Suspiro-me de desejos de rio sem ponte, doido para me afogar de suicídios.

A ponta da faca pontiaguda aguarda meu murro de beco sem janela.

Sou-me essa máquina de lavar trouxa que enxagua direitinho sem gritar.

Parece até justo nesses dias que saio de muro – onde os blocos de Carnaval gostam de mijar – acabar engolindo amargos chicotes.

Sangro sem parar areia pelas pernas da ampulheta, essa porta fechada sem maçaneta.

Sou esse impasse de mágica incapaz de trocar os meus pés suicidas por outros mais confortáveis.

Meus dedos apertados clamam por uma maresia que me assopre pelo celular todas as resposta dos gabaritos mais altos.

Algo na veia que dê para passar raspando pelo Titanic.

Esse iceberg no copo me parece pouco para o porre de litros passageiros de ignorância – que preciso tomar, desde que nasci.

 Sou essa química que ainda não consegue se encaixar na tabela periódica.

 Sou meio assim: esse indefinitivo de berço.

Misto Quente

É semi-verão na barraca colorida encravada entre milhares de outras na praia poluída de som, egos e cocôs.

No centro da decadência americo-européia-cristã-judaico-evangélica-do-capital-a-todo-custo,
tenho sede de ser.

Deus agora é um cartão com senha em um templo eletrônico.

O sol e a taxa de intoxicação de insanidade brilham alto em um barulho que só os surdos não reclamam.

A surdez é de massa e à bolognesa!

Na barraca ao lado mais um pai ignora mais um filho.

Somos e seremos todos filhos-dos-filhos-dos-filhos.. da falta de atenção hereditária milenar.

Muito mais coisa que gente.

Ninguém nessa eterna cachoeira: fura a pedra genética dura com água mole.

O que vale no reino dos dos bancos no céu aqui na terra é essa alta taxa de intoxicação do ego que não permite diálogo.

Só monólogos.

Coisifique-me na veia!

É a alta decadência primavera-verão da obscura idade média pós-moderna florescendo a beira mar.

Ainda bem que eu tenho esse meu celular de segunda internético.

Que pisca:

“Chega de patrulha!”

Liberdade hoje é isso: cada um diz o que quer  e escuta quem tem vontade!

Ponto.com.

Resolvi colocar meus pés de ganso e nadar por aí contra corrente feito um pato à procura de chumbo derretido.

Nessa anti-maré horária até meu afeto aprendeu a lutar judô e volta e meia me pega desprevenido num Ypon-Wasari-tipo-banda.

Por isso me ajoelho no altar dos biquinis siliconados.

Porém, quanto mais eu rezo, mais carências crônicas me aparecem!

E do alto do por-do-sol vos digo:

As minhas correntes andam arrastando fantasmas.

A mesma fome que humaniza, me escraviza.

Se pudesse comer o vento ao molho pardo, seria relâmpago a
clarear sofrimentos nos pingos dos is das chuvas e crises torrenciais.

Quero uma bateria solar no estômago revolto de décadas
para me alimentar de sol.

Poder chegar antes das injustiças que estão sendo amoladas na
pré-decaptaçâo daqueles que como eu migalham na esquina.

Na vida dos com-relento só os facões têm tempo e não têm fome.